Euclides da Cunha

                                                                                     .Euclides da Cunha vista pelo alto (foto do autor)
"Para entender a Bahia temos que compreender a terra, as águas e as condições do viver nesta região, assim como as características de cultura e prática social das populações que em conjunto com o ambiente construíram o que hoje se chama Bahia. Em relação ao ambiente físico, se por um lado o estado detém o maior litoral oceânico do Brasil, com 932 quilômetros de extensão, por outro é o estado que tem maior extensão semiárida e de secas, com aproximadamente 260.000 km² de extensão." (MATTA, 2013, p.15)
"É de 1501 a expedição de Gonçalo Coelho. Com Américo Vespúcio a comandar uma das naus, e com o calendário dos dias santos, visitaram o litoral baiano e deram nomes aos acidentes geográficos. A esquadra veio do norte. O Rio São Francisco foi descoberto e nomeado em 4 de outubro. A frota continuou para o sul, e em 1º de novembro de 1501 avistaram uma grande baía, e lhe batizaram Baía de Todos os Santos. Ficaram 27 dias. Foi o primeiro encontro com o Recôncavo, onde será fundada Salvador. Viveram com os Tupinambás. Compraram dos Tupinambás 10 índios, provavelmente Tapuias, que agora seriam escravos. (BAHIA, 2000)."
Como podemos ver nas citações acimas, a capital baiana, foi fundada logo no início da colonização do Brasil (1501), por ser uma cidade litorânea o se crescimento foi muito rápido, uma vez que que os mares ligavam a cidade a Europa, África, Ásia e Américas. Houve também uma farta produção de hortaliças, frutas, pescado. Temos um extenso litoral e o estado é cortado por vários rios, destacando-se o São Francisco, Vaza-Barris, Itapicuru, Jacuípe, Paraguaçu, Rio de Contas, o Parto e o Jequitinhonha, todos eles muito bem conhecidos, inclusive em cantados em versos e prosas por grandes artistas baianos. Temos a região Oeste, com clima chuvoso e estação sêca. Essa penetração para o interior, fez com que o estado tivesse um grande crescimento e adentrando para o interior, cita-se: “A Caatinga, vegetação rasteira, espinhosa e própria dos climas secos, domina cerca de metade do território da Bahia, especialmente no centro deste. No litoral temos as florestas tropicais densas e úmidas que vão se tornando estepes na medida da interiorização e da chegada ao chamado sertão, à vasta área de agreste, região de fronteira com o semiárido, intervalo entre o litoral úmido e o interior semidesértico. Há bolsões de áreas úmidas, aqui e ali, dentro da zona da seca, exceções que confirmam o semideserto.” (BAHIA, 2010). Nessa região encontra-se a cidade de Euclides da Cunha, homenagem póstuma ao escritor paulista, que esteve nessa área na época da Guerra de Canudos. 

Um pouco de História

De acordo com o site museu do cumbe: "Antiga aldeia dos índios Caimbés, da tribo dos Tupiniquins, as terras do atual Município foram desbravadas por colonos vindos de Monte Santo e Tucano, que se fixaram e se dedicaram à lavoura e à criação de gado. O povoamento começou na Fazenda Cumbe do Major. Os jesuítas, então, ergueram no local uma capela e um convento. Posteriormente chegaram mais colonos e o povoado se desenvolveu sendo elevado à Freguesia de Nossa Senhora do Cumbe em 1881. O Município foi criado em 1898, com território desmembrado de Monte Santo, com o nome de Cumbe. Em 1931 perdeu sua autonomia sendo incorporado ao Município de Paripiranga e, neste mesmo ano, voltou a pertencer a Monte Santo. Em 1933 o Município foi restaurado e passou a ser denominado de Euclides da Cunha. Em 1938 foi elevada a cidade. O município foi desbravado por colonos oriundos dos municípios circunvizinhos, principalmente de Monte Santo e de Tucano, que ali se fizeram com suas famílias, dedicando-se à lavoura e o criatório de gado, esteios até hoje da economia municipal. O seu primeiro núcleo populacional foi a Fazenda Cumbe do Major, de propriedade do Major Antonino, senhor de boas glebas e de avultado números de agregados, primeiro desbravador das terras do município."


                                              Capela na Serra que rodeia a cidade de Euclides da Cunha(foto do autor)
Segundo dados do IBGE;
Gentílico: euclidense
Formação Administrativa
Distrito criado com a denominação de Cumbé, pela lei provincial nº 2152, de 18-05-1881, subordinado ao Município de Monte Santo. Elevado à categoria de vila com a denominação de Cumbé, pela lei estadual nº 253, de 11-06-1898, desmembrado de Monte Santo. Sede no antigo distrito de Cumbé. Constituído do distrito sede. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, a vila é constituída do distrito sede. Pelos decretos estaduais nºs 7455, de 23-06-1931 e 7479, de 08-07-1931, a vila foi extinta pelo ultimo decreto o território município de Cumbé foi anexado ao município de Monte Santo, como simples distrito. Elevado novamente à categoria de município com a denominação de Cumbé, pelo decreto nº 8642, de 19-09-1933, desmembrado de Monte Santo. Sede no antigo distrito de Cumbé. Constituído de 2 distritos: Cumbé e Canudos, ambos desmembrados Monte Santo. Instalado em 10-10-1933. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 2 distritos: Cumbé e Canudos. Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937. Pelo decreto estadual nº 11089, de 30-11-1938, o distrito de Cumbé tomou a denominação de Euclides da Cunha. “


                                                                         Euclides da Cunha vista pelo alto (foto do autor)
Por ser uma cidade relativamente nova, pelo menos no contexto em relação a Bahia, nossa cidade destaca-se na História, por ter sido um dos palcos da citada guerra, além de que nessa região ocorreu a queda do Meteorito de Bendengó (1784), que atualmente encontra-se no Museu Nacional – Rio de Janeiro.
Um pouco de História, contada por Nelson Cadena:
Em 1784 o lavrador Joaquim de Mota Botelho procurava uma vaca desgarrada no semiárido baiano, nas proximidades de Canudos, e deparou-se com uma pedra gigante encravada no chão: era um meteorito. A queda do aérolito dos sertões que então passou a ser denominado de “Pedra do Quitá” e mais tarde Bendegó, que na língua dos índios Quiriris significava “vindo do céu”, não foi  testemunhada. Não se sabe o ano em que efetivamente ocorreu o incidente com o asteroide; Bendegó era então um lugar ermo, desabitado. O Governador da Bahia D. Rodrigo de Menezes, informado do relato do lavrador, encarregou o capitão-mor de Itapicuru de remover e transladar a pedra que então se imaginava continha partículas de prata e outros minerais de valor. Construíram um precário carro de bois e colocaram vinte búfalos que arrastaram o bloco até as margens do riacho Bendegó onde se quebrou o eixo. O meteorito emborcado foi parar no leito do rio, enterrando numa areia mole. Ali permaneceu 104 anos, na mesma posição em que os cientistas Von Martius e Von Spix o encontraram em 1818 e então estimaram seu peso em 5.360 quilos e o descreveram como “bloco de ferro com propriedades magnéticas”.
                                                           Meteoríto de Bendegó - embarque (foto da época)
Esses foram alguns elementos e registros sobre a nossa região e cidade que contribuem sobre o momento inicial da História da Bahia.


                                                                    Campus UNEB visto pelo alto (fonte GOOGLE MAPS)

Referências:
BAHIA, Secretaria da Educação da. As terras do Brasil e o mundo dos descobrimentos. Salvador: Boanova, 2000.
Google Maps. 
<https://www.google.com.br/maps/@-10.5033696,-39.0088751,486m/data=!3m1!1e3>, Acessado em 19/12/2017 às 14:35h.
IBGE: Bahia - Euclides da Cunha - histórico. Disponível em <https://cidades.ibge.gov.br/painel/historico.php?codmun=291070> ; Acessado em: 18/12/2017 às 11:14h.

Matta, Alfredo. Módulo História da Bahia. 2013

http://www.graduacaounead.uneb.br/pluginfile.php/55441/mod_resource/content/1/Material%20Did%C3%A1tico/Hist%C3%B3ria%20da%20Bahia.pdf>; Acessado em: 16/12/2017 às 05:18h.

Museu do Cumbe. História de Euclides da Cunha. Disponível em: <http://www.museudocumbe.com/2007/10/histria-de-euclides-da-cunha_25.html> Acessado em: 16/12/2017, às 12:39h. 

O meteorito que caiu na Bahia, por nelsoncadena. Disponível em: <http://blogs.ibahia.com/a/blogs/memoriasdabahia/2013/02/15/o-meteorito-que-caiu-na-bahia/> Acessado em: 16/12/2017, às 12:39h. 




CURSO:        LICENCIATURA EM HISTÓRIA
Componente Curricular:    HISTÓRIA DA BAHIA
Semestre: 5º
Professor Formador: ALFREDO EURICO RODRIGUES MATTA
Tutora Presencial: Maria Suely Campos de Macedo
Discentes: Samuel Barbosa de Souza e Veronilda Santos.

Polo: Euclides da Cunha – Bahia

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